terça-feira, 2 de março de 2010

El Chalten


Quarta de manha, após uma noite dormida num simpático hostal em El Calafate, partimos para El Chalten, pequena aldeia em pleno Parque Nacional dos Glaciares, no sopé de magestosos picos e rodeada de rios cristalinos.



El Chalten é o paraíso na Terra, onde vive uma amiga da Laura, a Helo.El Chaltén existe apenas no Verao, vive de e para o turista. Um turista de aventura, amante da natureza, do trecking, da escalada.



EL Chalten


No Inverno nao há vida, ou muito pouca. Ficam 600 pessoas na aldeia. Demasiado frio, demasiado agreste.Conhecemos uns amigos da Helo que vive há já vários anos na aldeia. Um deles chama-se Jesus.




Jesus Crist


Porque se parecde com Jesus, na fisionomia e na bondade. Vive numa casa/barraca que vai construindo aos poucos num terreno que as autoridades lhe cederam. É o que fazem aqui, como recompensa às pessoas que ficam durante o Inverno em El Chaltén, dao-lhes terras. O Jesus tem um emprego original: carrega mochilas com mantimentos para os "turistas" que querem fazer caminhadas e subir as montanhas sem carregar nada às costas. Soa mal. Mas ser pago para fazer estes caminhos lindos com uma mochilita é um luxo! No terreno do Jesus vivem mais duas meninas, a Caro e a Nati, cada uma na sua micro-roulote. Sao uma espécie de mini comunidade hippie, todos muito boa onda. Jantámos aí com eles e recolhemos todo o material que nos emprestaram para partirmos para as montanhas no dia seguinte e acampar aí. Nao vinhamos preparados para acampar, e menos ainda no frio!


E assim, às 7 da manha do dia seguinte, partimos para a primeira caminhada: Lago de los 3. Cinco horas de ida, com paragem para montar a tenda e deixar as coisas junto do Lago de Capri. Outras 5 de volta. Jantar de Camping Gas, tenda e no dia seguinte mais 4 horas de caminhada para o Lago Torre. E outras 3 horas para voltar à aldeia. Exaustivo mas arrebatador.








A vista da tenda =)

Patagónia - El Calafate - Perito Moreno




2a Feira a chuva voltou à capital e estragou-nos os planos para o dia: passeio pelo delta do Tigre, de barco pelos canais.

Ficámos em casa a ultimar os preparativos para rumar ao sul.
Voámos às 23h para Rio Gallegos, Patagónia.Chegámos aí às 2 da manha e ficámos no Aeroporto a fazer horas para o autocarro das 9h para El Calafate. Às 9h porque um funcionário do Aeroporto assim me o tinha dito. A ventania e o frio que se faziam sentir lá fora, aliados às referências negativas que tinhamos da cidade ("fria, cinzenta, sem nada para ver") fizeram-nos aconcelhar duas meninas irlandesas a esperar aí conosco. Elas estavam algo impacientes e nao falavam espanhol. Disse-lhes que tinha falado com o tal funcionário e que o autocarro era às 9h. Nao valia a pena ir rapar frio antes! Elas acabaram por telefonar para os taxis antes das 8h para ir para a terminal de autocarros. Assim sendo, aproveitámos e colámo-nos para ir com elas.

Já na terminal, chego-me à frente e pedi os nossos dois bilhetes para El Calafate, às 9h. Ups...afinal era às 8h30 (daí a 15 minutos). E ups outra vez....só haviam 2 bilhetes. Comprámo-los, olhámos para elas com sentimento de culpa e fugimos para dentro do autocarro! Sorry girls!

Para El Calafate foram 5 horas de bus, passadas a dormir. Daí, apanhámos outro de 1 hora rumo ao Glaciar de Perito Moreno. E vimos a primeira maravilha da viagem!Um excelente final para a primeira semana de viagem.Aí parece acabar o nosso mundo e começa um outro. Frio. Branco. Imenso. De vez em quando soltam-se gigantes blocos de gelo, acompanhados de um som semelhante a uma trovoada.











Fim de Semana - Pinamar - Mar de Plata - Pinamar

No final da 6a feira de chuvada, quando o caudal das águas da chuva nos permitiram, partimos com o Mário e o Felipo de carro rumo a Pinamar, uma praia a 450km de Buenos Aires, destino por excelência da classe média-alta portenha (assim sao conhecidos os habitantes de Buenos Aires). A família do Mário tem aí uma casa num impressionante bairro à beira-mar, dentro de um vasto pinhal.



Todas as casas do bairro sao vivendas com jardins relvados até à estrada (de terra, quase todas), fazendo lembrar os bairros americanos que se vêm nos filmes. Estava aí a irma do Mário ( a Mara), com o seu marido Juan e as das filhas traquinas, Valentina e Trinidad.

No sábado armámos uma lancheira com cervejas e sandes e fomos para a praia, que tem um areal cuja extencao se perde no horizonte, um mar esverdeado e frio e que tinha também um vendaval que nos obrigou a refugiarnos nas dunas a beber cerveja a tarde toda, com constantes chuvas de areia à mistura!À noite, o Chefe Mário presenteou-nos a todos com mais um rico "asado" e dormimos cedinho para no dia seguinte rumármos mais a sul.



E lá partimos no Domingo de manha, rumo a um "bosque energético", onde se diz que existem forças energéticas misteriosas, que nem Einstein ( que se terá deslocado aí para as estudar) as conseguiu explicar.Antes, parámos em Mar de Plata para almoçar, cidade outrora destino da elite portenha, que nos tempos da presidência de Perón virou um destino popular. Durante as suas presidências do país, Perón mandou construir vários hoteis para albergar familias de trabalhadores durante as suas férias. É agora uma cidade grande, com uma costa recortada e inúmeras praias povoadas de gente que se bronzeava debaixo de um forte sol e um nao menos vigoroso vento.




Ao almoço à beira-mar, confirmámos com a rapariga que trabalhava no bar onde comemos a existência do tal bosque, nos arredores de Miramar. "É incrível! Equilibram paus uns em cima dos outros e nao caem, é surreal!" - disse-nos.E para lá seguimos com toda a emoçao. Miramar pareceu ser algo semelhante a Mar de Plata, mas em escala reduzida.

A curiosidade e o entusiasmo que levávamos para o bosque começou a desvanecer-se quando chegámos e vimos dezenas de pessoas na "zona energética" do bosque, que era um aglomerado de pinheiros secos, cujos ramos se uniam no centro formando uma vasta cópula, sombria e misteriosa.



Aí debaixo, passámos das teorias à práctica e lá nos pusemos a equilibrar paus (isto soa muito estúpido!) : o primeiro enterrado no solo, em posiçao vertical e depois na horizontal, uns em cima dos outros. De facto equilibravam-se. Mas ficámos com a sensaçao (mais tarde passou a quase certeza) de que se pode fazer isso em qualquer lugar. Basta um pouco de concentraçao e respeito às leis da física.
Passeámos pelo bosque adentro, que ia dar a uma deserta e interminável praia.
Ao fim do dia, regressámos a Buenos Aires, 5 horas de viagem.

Os dias em Buenos Aires

Durante os 4 dias que passámos em Buenos Aires (poucos para conhecer bem a cidade), apanhámos um clima instável: muito calor, mas também muita e anormal chuva.Apercebemonos também que é uma cidade que oscila entre dois mundos:

- Um primeiro mundo de grandes avenidas e parques, vasta oferta cultural, infra-extruturas bem preparadas para receber os milhoes de turistas que por aí passam, rede de transportes públicos, expecialmente em autocarros, abundante e eficiente;

- Um segundo mundo que revela as debilidades do país. Um país de carros velhos e destruidos que circulam pelas ruas, de passeios repletos de caca de cäo, de bairros inundados ao fim de uma hora de chuvada. Este último acontecimento passou-se na 6a feira, 3 dias depois de chegarmos. Acordámos com um céu que nao agoirava nada de bom e ameaças de tempestade nos meios de comunicaçao. Fomos ficando por casa, mas quando parecia que afinal era capaz de nao chover, decidimos saír. Assim que pusemos um pé na rua, veio a chuva. Pouca. Decidimos seguir para o metro, com destino ao museu do pintor surrealista Xul Solar, que nos tinham recomendado. Chegámos à porta do museu e...estava fechado. Nesse preciso momento, a chuva começa a caír com grande intensidade, acompanhada de fortes rajadas de vento.



Corremos para o metro, depois para casa, onde chegámos ensopados, claro está. Nisto tinha passado cerca de meia hora. O suficente para ligar a televisao e ver que quatro quarteiroes abiaxo da casa onde estávamos havia já um barco para ajudar as pessoas a atravessar a rua. Um barco!! Buenos Aires inundava-se e assim ficou durante várias horas.

Peripécias aparte, é uma cidade com muito para ver e conhecer.

Visitámos o famoso cemitério de Recoleta, onde estao sepultadas as mais importantes figuras do país, com especial destaque para o túmulo de Evita Péron, que provoca autênticas romarias de gentes de todas as partes.
Conhecemos aínda alguns dos emblemáticos bairros de Buenos Aires:


- San Telmo, uma zona de pequenas ruas repletas de restaurantes típicos e lojas de desenho, um estilo que faz lembrar o bairro alto mas em plano.


- La Boca, bairro de gente pobre e humilde, onde nao convém nada sair das ruas principais, sob o risco de voltar para casa sem nada nos bolsos. Conselho do dono do restaurante onde almoçamos, que ao saber que era português me chamou de Deco durante toda a refeiçao. Na Boca está o mítico estádio do Boca Juniors, La Bombonera, onde Dieguito Armando Maradona começou a espalhar magia na relva. Aínda na Boca, está a famosa ruela "El caminito", rua para turista ver, fotografar e gastar "plata" em restaurantes com esplandadas onde tocam e bailam tango ao vivo. Segundo nos contou o Mário, la Boca é um dos primeiros bairros que surgiu em Buenos Aires. Aqui as casas sao feitas de chapa e pedras, que eram trazidas dos restos de materiais que os ingleses nao usavam. Os argentinos levavam milho e outras mercadorias para Inglaterra em barcos. E como estes nao podiam regressar sem peso (sob o risco de se afundarem), traziam estes materiais. Com esses foi nascendo La Boca.



- Palermo, onde "vivemos" nestes dias é o bairro por excelência da classe média de Buenos Aires. É uma zona tranquila, muito bem comunicada, e entrando para dentro do bairro descobrimos muitas zonas de ócio e de comércio de artistas locais.


- Microcentro, no coraçao da cidade, onde se encontra a Casa Rosada, residência oficial da presidência argentina, e em frente a Plaza de Mayo, palco constante de manifestaçoes do povo argentino, com especial destaque para as Madres de la Plaza de Mayo, que todas as semanas fazem um vigilia na praça em memória dos entes desaparecidos durante o último governo militar no país. Aínda no microcentro visitámos a Catedral Metropolitana, que nao sendo um regalo para a vista, alberga o túmulo de San Martín, heroi nacional que juntamente com Bolivar é considerado o libertador mais importante da América do Sul, ajudando a libertá-la da poressao espanhola.Tivemos aínda a oprtunidade de nos deliciarmos com um "asado" na casa de um amigo do Mário, onde se juntam todas as 5as feiras para um barbecue com as maravilhosas carnes argentinas. Ser vegetariano na Argentina é como viver no deserto sem se gostar de sol!
ps: perdemos uma pen com algumas fotos dos primeiros dias dsa viagem :S As fotos deste post foi o melhor que conseguimos salvar! =)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Vivinhos da Silva

Olá malta!

Temos tido alguns contratempos tecnológicos que nos têm impedido de actualizar o blog em condicoes. Esperamos poder fazê-lo em breve...
Mas saibam que estamos bem, o sismo no Chile nao se fez sentir onde estamos (Patagónia, Argentina).

Um abraco a todos e esperem por noticias como deve ser em breve!!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Bons ares!

Após 12 longas horas de viagem a bordo de um gigante Boeing de 2 andares, começámos a sobrevoar Buenos Aires por volta das 6 da manha. Desde cima tem-se de imediato a percepçao do descomunal tamanho da cidade. Sao pelo menos 20 os minutos em que o aviao sobrevoa a vasta manta de luzes até iniciar a descida para o aeroporto.

Como combinado, o nosso amigo Mário recolheu-nos no aeroporto e levou-nos para a sua casa. E que casa! No popular bairro de Palermo, vive num 13o andar com vistas para 3 direcçoes distintas da cidade. Têm todas em comum o facto de se verem edificios de todas as formas e feitios até o horizonte nao o permitir mais.


a vista da sala


a vista do nosso quarto

Com os fusos horários trocados (aqui sao 4 horas menos), passámos grande parte do dia a dormir. O tempo também nao convidava a grandes saídas, uma vez que chuviscava um pouco. Aínda assim, os 26 graus soam um pouco melhor que os 3 que estavam no Porto!

À noite houve um pequeno jantar com amigos do Mário, e um inesperado reencontro com a Diana, uma amiga equatoriana que estudou comigo e com o Mário em Barcelona.



Em breve esperamos partilhar as primeiras fotos e aventuras de Buenos Aires.
Despedimo-nos com beijos, abraços e um até já!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

FALTAM
3 DIAS
PARA
BUENOS AIRES!